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Comer bem é o primeiro passo, mas não é o único

 

Frutas, verduras, legumes, boas fontes de proteínas, carboidratos e gorduras fazem parte de uma alimentação equilibrada. Ainda assim, uma dúvida pode surgir: é possível ter deficiência de nutrientes mesmo comendo bem?

Sim. Isso acontece porque o estado nutricional não depende apenas dos alimentos presentes no prato.

Entre consumir determinado nutriente e o organismo conseguir utilizá-lo, existem diferentes etapas. Digestão, absorção, metabolismo e necessidades individuais também fazem parte dessa equação.

Por isso, uma alimentação considerada saudável é a base, mas precisa ser analisada dentro de um contexto muito maior.

 

O que pode influenciar o estado nutricional?

 

Duas pessoas podem ter padrões alimentares semelhantes e, ainda assim, apresentar necessidades completamente diferentes. Alguns fatores ajudam a explicar isso.

1. Saúde intestinal e absorção de nutrientes

O intestino tem um papel fundamental na absorção dos nutrientes provenientes da alimentação.

Alterações no trato gastrointestinal ou condições que prejudiquem os processos de digestão e absorção podem fazer com que o organismo não aproveite os nutrientes da mesma maneira, mesmo quando eles estão presentes na alimentação.

Esse é um dos motivos pelos quais olhar apenas para “o que a pessoa come” nem sempre é suficiente para compreender seu estado nutricional.

2. Diferentes fases da vida

As necessidades nutricionais não permanecem iguais ao longo da vida.

Infância, adolescência, gestação, envelhecimento e outras fases podem modificar a demanda por determinados nutrientes. Por isso, uma alimentação que atende às necessidades de uma pessoa em determinado momento pode precisar de ajustes em outro.

3. Uma rotina mais ativa também muda as necessidades

A prática de atividade física também pode modificar as demandas nutricionais do organismo.

Quando pensamos em proteínas, por exemplo, pessoas fisicamente ativas podem apresentar necessidades maiores dependendo do tipo, frequência e intensidade do exercício, além dos objetivos individuais.

E não basta pensar apenas na quantidade total consumida. A distribuição das proteínas entre as refeições ao longo do dia também merece atenção, especialmente quando o objetivo envolve manutenção ou ganho de massa muscular.

4. Uso de medicamentos

Alguns medicamentos podem interferir na ingestão, absorção, metabolismo ou utilização de determinados nutrientes.

Além disso, tratamentos que alteram o apetite ou a quantidade de alimentos consumida também podem dificultar o alcance das necessidades nutricionais.

Por isso, o uso contínuo de medicamentos é uma informação importante durante uma avaliação nutricional e deve ser considerado individualmente.

5. Comer alimentos saudáveis não significa necessariamente consumir tudo em quantidade suficiente

Existe ainda outro ponto importante: qualidade e quantidade são questões diferentes.

Uma pessoa pode ter uma alimentação composta majoritariamente por alimentos de boa qualidade nutricional e, ainda assim, consumir quantidades insuficientes de alguns nutrientes.

Isso pode acontecer por falta de apetite, rotina corrida, restrições alimentares, preferências individuais ou simplesmente por uma distribuição inadequada das refeições ao longo do dia.

Um exemplo comum é a proteína. Muitas vezes, almoço e jantar possuem boas fontes proteicas, enquanto café da manhã e lanches apresentam quantidades muito menores.

 

Então, como saber se a alimentação está atendendo às necessidades?

 

Não existe uma resposta única.

A avaliação do estado nutricional envolve olhar para diferentes informações em conjunto: alimentação, rotina, fase da vida, prática de atividade física, histórico de saúde, sinais e sintomas e, quando necessário, exames laboratoriais.

É justamente por isso que estratégias nutricionais devem ser individualizadas.

Mais do que seguir recomendações genéricas ou excluir alimentos por conta própria, o acompanhamento de um profissional permite identificar possíveis inadequações e entender quais ajustes realmente fazem sentido.

 

E onde entra a suplementação?

 

A suplementação não deve ser encarada como substituta de uma alimentação equilibrada.

Quando existe uma necessidade identificada, no entanto, ela pode funcionar como uma ferramenta complementar à estratégia nutricional, seja para atingir necessidades específicas ou para trazer mais praticidade à rotina.

No caso das proteínas, por exemplo, uma pessoa pode ter uma necessidade aumentada e encontrar dificuldade em alcançar o aporte adequado somente nas refeições habituais. Nessas situações, produtos proteicos podem ser utilizados estrategicamente para complementar a alimentação.

Mais importante do que simplesmente adicionar um suplemento à rotina é entender se ele é necessário, qual é o objetivo e como ele se encaixa na alimentação como um todo.

 

Individualidade importa

 

Uma alimentação equilibrada continua sendo um dos principais pilares para a manutenção da saúde. Mas olhar apenas para a qualidade dos alimentos não conta toda a história.

O que consumimos, quanto consumimos, quanto conseguimos absorver e quanto o

nosso organismo necessita são fatores diferentes e todos precisam ser considerados.

É por isso que duas pessoas que “comem bem” podem precisar de estratégias completamente diferentes.

Mais do que buscar uma alimentação perfeita ou suplementar por conta própria, o caminho é compreender as necessidades individuais e construir uma estratégia possível de ser mantida no dia a dia, sempre com acompanhamento profissional quando necessário.

 

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